Democracia no Brasil


Urna eletrônica: funcionamento e segurança:

    A urna eletrônica é um aparelho usado nas eleições para registrar os votos das pessoas de forma digital, substituindo aquelas cédulas de papel de antigamente. Ela foi criada para deixar o processo de votação mais rápido, prático e seguro, evitando erros na contagem e reduzindo fraudes. No dia da eleição, o eleitor vai até a urna, digita o número do candidato e confirma o voto, que fica armazenado no sistema para depois ser contabilizado. Esse ano, em 2026, as urnas comemoram 30 anos de sua implantação.

     A informatização do processo eleitoral representou uma virada de chave no combate às fraudes e na promoção de eleições mais seguras, ágeis e transparentes. O primeiro modelo da urna, o UE96, nas eleições municipais de 1996, foi utilizado inicialmente em capitais e grandes municípios, alcançando cerca de 30% do eleitorado. Em 2000, o sistema eletrônico passou a ser adotado em todo o território nacional. 

     Que tal conhecer mais sobre o funcionamento, principalmente, sobre a segurança desses importantíssimos instrumentos do processo eleitoral?

Funcionamento:

    No momento da votação, o eleitor se dirige a um local de votação, já designado previamente, apresenta documentação e biometria ao mesário, por sequência vai a urna, que foi habilitada para você votar. Você digita o número do candidato. A tela mostra o nome e a foto para conferência. Então, você confirma o voto, que é registrado digitalmente dentro da urna e armazenado de forma criptografada.

Segurança

    Durante o processo digitalizado das eleições, por meio das urnas, nunca houve nenhuma fraude comprovada pelos órgãos oficiais. Ela não fica ligada à internet e o sistema eletrônico não tem comunicação com nenhuma rede durante o processo de votação.

    Depois que os programas são inseridos na urna, todas as entradas usadas nesse processo são lacradas fisicamente com lacres especiais produzidos pela Casa da Moeda. Esses lacres têm uma propriedade química que identifica qualquer tentativa de violação: quando ele é retirado, imediatamente muda de aparência, deixando evidente que foi violado.

Lacre químico na urna
Lacre químico na urna

    As urnas também têm um componente interno altamente protegido, chamado hardware de segurança, que faz várias verificações nos programas que rodam dentro do equipamento em diversos momentos. Se houver qualquer alteração nos programas, a urna simplesmente não funciona.

    Desde 2002, antes de cada eleição, também é realizada a abertura do código-fonte e dos sistemas eleitorais da urna eletrônica para inspeção por entidades fiscalizadoras. O código-fonte fica disponível cerca de um ano antes da data das eleições e pode ser inspecionado até a cerimônia de lacração dos sistemas, em agosto do ano eleitoral. Essas entidades fiscalizadoras (partidos políticos, Ministério Público, Sociedade Brasileira de Computação e universidades de tecnologia, entre outras), também assinam digitalmente os programas que funcionam dentro das urnas eletrônicas. Por meio dessas assinaturas digitais, representantes das entidades podem verificar a autenticidade dos programas em qualquer urna do país, ou seja, se são os mesmos programas produzidos pelo TSE, sem nenhuma alteração. Depois da cerimônia de lacração dos sistemas eleitorais no TSE, os programas que serão usados na eleição são gravados em mídia não regravável e armazenados na sala cofre do TSE, um ambiente altamente protegido contra radiação, inundação, incêndio, terremoto, acessível apenas por poucas pessoas identificadas, depois de diversas barreiras de segurança e monitorado por câmeras 24 horas por dia. TSE: O que faz? Qual sua importância?

    Outro teste de segurança é que na véspera dia da eleição são escolhidas, em São Paulo, 33 urnas por entidades fiscalizadoras — entre equipamentos que já estavam nos locais de votação em todo o estado — e trazidas para o local da auditoria, na capital. Em três dessas urnas, o teste é feito em urnas liberadas por identificação biométrica de eleitoras e eleitores voluntários.

      Em último caso, se for necessário recontagem de votos, é preciso consultar uma espécie de tabela digital dentro da urna, onde os votos são salvos, chamada Registro Digital do Voto (RDV). Isso é muito mais seguro, afinal, é muito fácil alterar uma cédula em papel, que pode ser subtraída, rasgada ou rasurada. Mas o RDV é protegido com diversas camadas de segurança, como criptografia, assinaturas digitais e hashes. O Boletim de Urna (BU) também é outro documento que permite a recontagem dos votos. Ao final da votação, cada urna imprime um BU, que traz a apuração dos votos registrados naquele equipamento. Os RDVs e os BUs de todas as urnas podem ser consultados na internet, na página de Resultados do TSE.

Reunião de urnas para teste de segurança
Reunião de urnas para teste de segurança

Texto elaborado em: 03/04/26